ENTENDENDO O ESTADO ISLÂMICO

Estado Islâmio, ISIS, ISIL ou Daesh
Estado Islâmio, ISIS, ISIL ou Daesh

Por que o Estado Islâmico não tem nada de Islâmico.

O EI representa a maior ameaça (se já não for uma realidade) à estabilidade de alguns regimes do Oriente Médio. Isso porque ele se estabelece como uma célula rebelde em alguns Estados e utiliza táticas clássicas de terrorismo. Há informações de várias células na Jordânia por exemplo.

O EI decretou um “Califado”, sendo o centro dos sunitas no mundo. Se há um Califado, há um Califa (o termo em árabe significa “SUCESSOR” ou seja, o Califa é sucessor do Profeta Maomé). Sendo herdeiro político e religioso de todos os muçulmanos. Obviamente quando o Profeta estava vivo, não havia divisões religiosas entre os islâmicos, o que, derivado à visão extremista, fará o Califa atual unificar o Islã sob seu domínio.

O “Califado” já estabelecido na Síria e no Iraque emprega táticas absurdamente cruéis e medievais contra aqueles que não fazem parte dessa seita. Chamo assim pois as ações perpetradas contra outros indivíduos são de extrema crueldade, incompatíveis com qualquer facção religiosa islâmica. Não há como fundamentar a crucificação de crianças, a venda das mesmas como escravas, o estupro generalizado e as execuções públicas recheadas de sadismo pelas palavras do Profeta ou por qualquer leitura do Corão.

São as minorias Curdas, os Cristãos, mas também os próprios muçulmanos que perecem socialmente com a publicidade do EI. Sunitas e Xiitas são atacados pelos membros do grupo. Os primeiros por não reconhecerem o califado, os outros por serem “ilegítimos”, ou seja, infiéis. Crianças com deficiências diversas ou problemas mentais são transformadas em escudos-humano e homens bomba por exemplo. Adolescentes de outras etnias / crenças são utilizadas na manufatura de munições e outros trabalhos perigosos.

O EI convoca jihad contra Estados igualmente muçulmanos sunitas. Ou seja, a questão não é a crença, é legitimar a superioridade do Califado e unificar as crenças em uma através das guerras. Sua busca pelos poços de petróleo (inclusive uma produção razoável no mercado negro que foi abalada pelos bombardeios da coalizão liderada pelos EUA e pela baixa nos preços do barril) e pelos diques de água, especialmente em Mossul no Iraque, demonstram um interesse em longo prazo, de se estabelecer como um Estado fixo.

No entanto, qual a legitimidade do EI?

Ele dificilmente será reconhecido como tal (Estado), uma vez que não detém soberania plena de seu território (o mundo precisaria reconhecer o EI em detrimento dos atuais Iraque e Síria). Não passa de um grupo extremista que ambiciona seu próprio reduto, mas foi longe demais.

Militarmente ele já está sendo derrotado, e está absolutamente cercado pelos Curdos, pelos exércitos Sírio e Iraquiano, além dos constantes bombardeios da coalizção liderada pelos EUA. Após o brutal assassinato do jordaniano Kaseasbeh, com certeza a Jordânia atuará com maior intensidade.

A legitimidade do EI é zero, e apesar de estimular atentados e seguidores ao redor do mundo, os próprios seguidores do Islã irão repelir sua pretensa representação no mundo islâmico, uma vez que a cada atuação nefasta do EI, são os próprios muçulmanos que pagam o preço (não é a toa que a islamofobia cresce ao redor do Ocidente).

Apesar de tudo, o EI não deve sumir do mapa. Ele é composto de muitos soldados estrangeiros, muitos cidadãos europeus, americanos, latino-americanos e assim por diante. Suas células, seu modus operandi, tudo pode se espalhar como células ao redor do planeta. Essa fragmentação é um problema que só pode ser solucionado por serviços de inteligência diversos, capazes de realmente infligir duros golpes à todos os que atentem contra os valores vigentes em cada Estado.

Quem conhece os muçulmanos, sabe a vergonha e o tamanho da desaprovação que as ações do EI trouxeram.

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