“IMPÉRIOS DO MAR” de Roger Crowley

“IMPÉRIOS DO MAR” de Roger Crowley

Subtítulo: A batalha final entre cristãos e muçulmanos pelo controle do Mediterrâneo (1521-1580)

Editora: Três Estrelas / Ano: 2014

Impérios do Mar
Esta obra é única por diversos fatores. Primeiro pela capacidade do autor em se deter ao tempo histórico no qual propôs analisar, apesar das diversas tentações divagativas que a história em si oferece. Outro mérito de Crowley é analisar 59 anos de história em um calhamaço de 450 páginas e manter o leitor atento do começo ao fim. Talvez o maior fator para esse ponto seja a capacidade quase inigualável em escolher os personagens corretos e decisivos para amarrar os diversos acontecimentos da época.

O livro é sim focado na disputa entre os Otomanos e os Habsburgos pelo Mediterrâneo. Mas o interessante é a presença de algumas figuras nas quais o mito precedeu a história em nossa consciência. Barba Ruiva, de contos e mitos, é personificado nos irmãos Barbarossa, cuja importância para o estabelecimento do poder Otomano no Magreb foi decisiva nos projetos de Solimão (conhecido como Solimão o Magnífico, Sultão do Império Otomano). Já os europeus com suas diversas distrações internas (conflitos, especialmente entre Espanha e França) e as pretensões navais no além-mar, ficaram enfraquecidos perante a “ameaça” muçulmana à cristandade.

É nesse palco que ainda conhecemos diversos heróis e vilões, ou ambos concomitantemente, já que em uma época onde cristãos eram escravizados por muçulmanos e vice-versa, pilhagem era regra, corsários e cavaleiros se misturavam ao mar em ações semelhantes, a vida valia pouco. Mais um mérito de Crowley, o julgamento fica a critério dos leitores.

A participação dos Hospitalários (Ordem de São João) e sua decisiva contribuição nos cercos otomanos em algumas ilhas, mas principalmente na batalha por Malta, o teatro de guerra mais importante na época, tudo retratado com precisão e análise de diários de personagens presentes, trazendo as percepções e mentalidades em linguagem acessível a todos.

A obra termina com a Batalha de Lepanto, marco da tentativa de unificar a cristandade, onde orgulhos e vaidades foram testados ao limite.

Uma multidão de excessos de todas as formas, crueldades, questionamentos de lealdade, além de uma investigação sobre o espírito humano nas entrelinhas:

Por que vamos tão longe em nossas causas?

Classificação: 4 (Muito bom)

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