E AGORA ARÁBIA SAUDITA?

 

Nota Arábia

Essa pequena nota está colocada bem escondidinha na versão traduzida do “The Wall Street Journal” disponível neste (LINK).

Ela é importantíssima pois demonstra algo que muitos analistas não levam em consideração: ‘países exportadores de petróleo passam por dificuldades financeiras‘. Como? Não faz sentido algum, afinal, com todo o discurso e toda retórica contra os combustíveis fósseis, somos absolutamente dependentes de petróleo para qualquer matriz energética eficiente nos Estados do planeta.

Ok, a dependência mundial diminuiu desde as crises do petróleo (basicamente as de 1973 e 1979), com a diversificação das matrizes energéticas, o descobrimento de novas fontes pelo planeta, a atuação mais independente de alguns Estados e, acima de tudo, com a conscientização global de que energia impacta o meio-ambiente, então, a racionalização do uso.

A queda no preço do petróleo é abrupta e evidente quando observamos o gráfico:

Preço do Barill de Petróleo estipulado pela OPEP

crudeOil

Fonte: Statista

Os preços voltaram quase 13 anos no tempo, mas sem a devida correção inflacionária do período. Claro que os produtores, especialmente Venezuela, imploram à OPEP que fixe o valor do barril em patamares maiores, que garantam maior lucratividade. A Arábia Saudita, por outro lado, evitou e segurou ao máximo a cotação do barril em baixa, para deliberadamente causar déficits e problemas nos seus vizinhos. Por que?

Como já dito em textos anteriores, há uma dinâmica em centrífuga ocorrendo dentro do Oriente Médio, com pequenos polos de poder que se polarizam  fragmentam em batalhas localizadas, voltadas à influência regional. Os gastos da Arábia Saudita vem sendo maciços em equipamentos militares, armas e treinamentos, justamente para combater o Irã. A idéia saudita era que, com o embargo, os persas sentiriam muito o peso do barril barato e não poderiam se consolidar na região como uma potência. Cálculos mal feitos em política internacional sempre resultam em algo perigoso…

 Com a suspensão das barreiras ao Irã e o retorno do fluxo comercial àquele país, a tendência é de fortalecimento e diversificação comercial, enquanto aos sauditas, resta o déficit e a necessidade de auxílio internacional. Não é uma situação caótica, ou algo que vá mudar o brutal regime de Riad, mas há sim uma tendência de encolhimento quanto a participação externa, especialmente no Iêmen e na Síria. Um conflito contra o Irã apresenta-se muito custoso.

Agora o preço do petróleo está subindo, favorecendo todos os que dele dependem em maior ou menor grau. Aos sauditas e aos iranianos, é interessante o quadro futuro. Ao Oriente Médio, é um quadro frágil e perigoso, envolvendo regimes cujo poder de decisão é muito centralizado, sujeito, portanto, aos humores de clérigos, Aiatolás e Reis.

Claro que nunca é demais projetar que, no instante em que a corrida armamentista (e ela acontece no Oriente Médio e na Ásia, hoje) entrar em descompasso, com algum dos lados evoluindo pouco mais do que os outros ou com a intromissão externa, a evolução do quadro tende a ser um conflito de proporções drásticas na região, invocando inclusive um pano de fundo que envolverá Rússia, Estados Unidos e Israel.

Enfim, torçamos para que os regimes encontrem a paz, ainda que temporária e instável. A ajuda internacional com empréstimos e financiamentos em troca do petróleo garantido virá com certeza, e a despeito de financiar uma das ditaduras mais sanguinárias e cruéis do mundo, os Estados Unidos continuarão a manter sua representação intacta entre os sunitas e entre os Aiatolás persas (xiitas). Quase uma proeza em comparação ao estrago feito por Bush Jr.

saudi-arabia-army

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