O CÁLCULO SAUDITA E UM NOVO ORIENTE MÉDIO

saudi

As atuais tensões no Oriente Médio são discutidas e exacerbadas em todos os veículos de comunicação que possuem algum interesse na região. Arábia Saudita x Irã tornou-se o conflito do momento, ofuscando as demais tensões, mesmo que momentaneamente naquela região. Quem acompanha o blog sabe que eu trato dessa rivalidade há algum tempo, sempre partindo da premissa de que o equilíbrio de poder na região é seriamente afetado a cada movimento expansivo de um dos grandes Estados da região: Irã, Turquia, Arábia Saudita e Israel.

Quando a Arábia Saudita condenou em massa alguns religiosos e oposicionistas à morte (e o uso da pena capital por lá é bastante comum), ela já sabia das reações que seriam causadas quando um clérigo xiita fosse decapitado (Nimr Baqir al Nimr). Era razoável depreender que a execução de um clérigo causasse comoção entre os que seguem seus preceitos religiosos. É semelhante, para o Ocidente, a uma execução pública de um bispo católico romano por um regime protestante teocrático. Causaria tumulto. E era exatamente essa a intenção saudita.

Após grandes compras de armamentos, incluindo uma dos Estados Unidos na ordem de U$ 1.3 bilhões ao final de 2015, os sauditas deixam claro na região que o sectarismo será a lei de agora em diante. Não foi surpresa que Bahrein e outros sunitas ao redor tenham seguido o corte de relações diplomáticas com o Irã.

Da mesma forma em que houve o apoio maciço do Ocidente à invasão de Saddam Hussein ao Irã (1980-1988), desta vez são os sauditas que recebem toda forma de benesses e tolerâncias do Ocidente. Onde estão os truísmos morais quando se apoia uma das ditaduras mais sanguinárias do planeta? É tão descarado o apoio que os próprios Estados Unidos indicaram representantes sauditas à comissão de direitos humanos da ONU. Vejam, não é defender o Irã, ou trabalhar com teorias da conspiração, mas qualquer observada mais digna vai demonstrar que o mundo tolera muito mais abusos sauditas (às vezes até apoiando, como no caso do Iêmen) do que toleram em outros regimes. E os terroristas do 11/9 que eram sauditas? Se fossem sírios, Assad estaria enforcado.

Assim como Assad, que realmente é um carniceiro, mas parece que foi descoberto há uns 4 anos apenas, quando na verdade sua família governa a Síria há décadas. Solução? Armar rebeldes e derrubar o regime. Só que não. O regime não mudou, os rebeldes armados desestabilizaram o país e hoje a Síria é um campo de guerra. Favoreceu a entrada da Rússia e a expansão das ações curdas e de milícias xiitas financiadas pelo Irã.

Voltando aos sauditas, a ideia de demonizar os xiitas é antiga. Mas nunca a oportunidade foi tão clara. Uma pena que o mundo caia tão facilmente em espirais de conflito que se esqueça de valores básicos que julgam defender.

Depois vamos analisar o envolvimento das potências externas…

Anúncios

Um comentário sobre “O CÁLCULO SAUDITA E UM NOVO ORIENTE MÉDIO

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s